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5 de outubro de 2011

O mundo dá voltas...


Vez ou outra, penso na natureza cíclica da vida que nos faz colidir com os nossos medos mais íntimos. Outlander tem tantas reviravoltas e uma vasta quantidade de exemplos sobre quando a vida nos coloca diante de dilemas. Será a vida um jogo de cartas marcadas?  A mão do destino é determinismo ou livre-arbírtrio? Enquanto escrevo, não penso em Jamie e Claire. Penso em Frank. No primeiro livro, ele opina sobre adoção e... oh céus, como fica patente o quanto não sabemos nada da vida!
Eu não iria me sentir bem em relação a uma criança que não é...bem, do meu próprio sangue.
O ser humano sempre teve dificuldades em compreender as coisas que são invisíveis aos seus olhos. Mas bastou uma passada d'olhos em um lindo bebê - que não era do seu proprio sangue - para Frank se entregar por inteiro. Quem diria, ele se tornou um paizão. E hoje relendo O resgate no mar, eis que me deparo com a seguinte declaração de Claire: O destino de Frank era Brianna. Simplesmente de arrepiar. Pessoalmente, acho que a Brianna foi o passaporte para que Frank pudesse viver a vida de maneira profundamente emocional. E sim, eu acredito no livre-arbítrio. Frank teve sorte em poder escolher a filha que teve.

16 de agosto de 2011

Claire e a mulher de Lot

A viajante do tempo traz muitas referências cristãs. Hoje vamos falar de uma referência bíblica importante inserida no primeiro capítulo da trama. Após o relato de Frank sobre ter visto o Jamie (presumivelmente, um fantasma) olhando para a janela do quarto de Claire, há uma breve DR (discussão da relação) entre marido e mulher. Frank fica com ciúme e com a pulga atrás da orelha. Claire, claramente ofendida com as insinuações do marido, demonstra-se relutante em corresponder ao abraço de trégua. Nesse momento, Claire se compara à mulher de Lot:
Permaneci petrificada como a mulher de Lot, mas ele insistiu, acariciando os meus cabelos e esfregando os meus ombros da maneira que sabia que eu gostava. (A viajante do tempo, p.28)

Essa metáfora revela muita coisa da condição da protagonista, especialmente, pelo fato de usar de tal comparação no instante em que está com Frank. O que me leva a pensar que talvez fosse então uma mensagem inconsciente de Claire. Talvez ela intuísse estar parada entre um lugar (ou condição) na qual não mais devesse permanecer e um lugar (ou condição) para onde devesse realmente ir. Como a mulher de Lot tentara preservar um vínculo que não lhe agregaria mais valor, talvez fosse essa a condição de Claire. Não à toa, Jamie aparece justamente nessa passagem.

A mulher de Lot também retrata a necessidade inadiável da escolha que nos paraliza. Com Claire não será diferente. Sua condição é bem definida pela Sra. Graham:
Há a folha curvada para uma viagem, mas está cruzada pela folha quebrada que significa permanecer no lugar. (A viajente do tempo, p.36)


10 de agosto de 2011

A viajante do tempo - O primeiro capítulo.



Esse é o primeiro livro da série. E o mais querido. É onde tudo começa, é onde a autora nos fornece pistas e não faz economia na descrição e no detalhamento da trama e de seus personagens. O primeiro capítulo exerce em mim um apelo especial. É a primeira vez que Claire, Jamie e Frank aparecem em um capítulo. Talvez seja essa a única vez. É um capítulo para se guardar na memória pelas inúmeras referências do passado, presente e futuro nele contido. Mas vou tratar disso depois.